seguinte encontro: lugo

cartaz_lugo

prologando madison ivy…

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…cousa que nunca pensei que chegaria a fazer, se não for verónica martínez delgado. pediu-me que escrevesse um textinho para o seu novo poemário, e escrevim, claro. se vos entra vontade de ler a Ode a Madison Ivy e outras coisas de meter é que cumprim a encarga:

ética poética

imagem de Monse Cea roubada no feisbu de Comba Campoy

hoje enchemos a santiaguesa praça da quintana em defessa dos nossos (das mulheres) direitos reprodutivos, os daquelas que não queremos ser mães e os daquelas que sim querem ser.

miriam levou-nos da mão a verónica martínez e a mim para que, subidas ao palco-camiom, partilhássemos com todas os nossos versos, entre cantora e cantora. estes são os que eu lim, em veste sufragista, para lembrar as pioneiras e aguardando não voltar a tempos escuros.

ética poética

 

isto não é um poema

é um aborto

 

não cabe no meu livro novo

a rima não quadra nem o tom

etéreo é o livro metafórico

pedras sem polir são estas verbas.

 

isto é um aborto

não é um poema

 

quero falar de ânsias e desertos

da vida que some e da morte insinuada

e sai-me político e não consinto

parir não é o destino das mulheres!

que raio de poesia é essa!

 

isto não é um poema

é um aborto

 

não me apetece / não é o momento

não estou agora para líricas

nas prosas ando interessada:

vai-me escrever um conto um romance de aventura

um filosófico patafísico ensaio

poesia agora não / não quero

 

isto é um aborto

não é um poema

 

não tenho já idade para arrolar cantos

não deixei repousar as palavras

não foram quecidas o tempo suficiente

não as engordei em glossários e sílabas contadas.

nasceram uma noite bebedeira

traídas pola música o erotismo

serei irresponsável / admito

mas isto não é um poema.

 

o caso é que não sei que fago aqui

explicando por que desboto ou não

estes versos como aborto

 

o caso é que a minha ética poética

atende a um único mandado.

 

o caso

é

que a poeta sou eu

e só eu decido

em que acabam os meus versos

 

só eu decido em que gasto o meu corpo.

 

A imagem desta poeta sufragista roubei-na do praza pública, mas como sou eu a modelo, suponho que nem roubo é.

 

 

O vídeo,  gravado por alberte momán:

 

 

 

Lusocuria

sempre penso que sou uma inculta. sobretodo quando descobro a gente falar cousas estranhas que eu nem imagino de onde é que saem. uma lacuna, penso. uma lacuna cultural que vivo tímida e avergonhada.

por isso tinha vontade de conhecer Verónica Martínez Delgado. quando figem a crítica do seu poemário, não acabei de perceber o sentido do título. mas como decidim que era uma dessas minhas vergonhantes lacunas, figem coma quem, ignorei-no na recensão e simulei que me adentrara nas entranhas mais fundas do livro. Verónica diz que figem tal. pode ser. eu porvezes tenho a sensação de que entro mas não abro os olhos.

o caso é que me pediu acompanhá-la no lançamento de lusocuria na Livraria Paz, de Ponte-Vedra. E lá fum, contenta por conhecê-la em pessoa (a nossas conversas foram sempre virtuais, viva a rede!) e para ver se nos contava que raios era isso da lusocuria.

soubemos.

e passamo-lo mui bem.

o insigne editor, Alberte Momán, tivo a bem gravar-nos. foi um pouco a traição, porque eu botei a língua a pazer como se estivesse entre colegas (estava entre colegas).

desta vez não escrevim nada especial, porque levava uma caixinha amorosa carregada de poesia escrita por outras vozes e com a que lusocuria choca brutal e sexualmente.



 

A imagem roubei-na no feisbu da Livraria Paz.