videira

parra

umha tarde daquele verám

manuel dormia a sesta

deitado sob a frescura

da parra madurecida


nom buscou o abeiro

da ondulaçom dos sarmentos

da sombra dos pámpanos

dos cachos de uva bagacenta

a ponto de nascer o vinho


era umha tarde de agosto

e quem entrava era amigo


a filha adoita na hora de calor

procurar fresco um assento

sob outras uvas em sazom

à sombra doutros pámpanos

por baixo da mesma videira


e aguarda que o pai volva

neste tempo da vendima

feito ossos cinza orgulho


e estrear ao fim o pano de loito


esta terra é toda ela um cemitério

para o que ninguém arranja flores

no dia de defuntos


por trás deste poema anda a história do bisavó de dolores, amiga minha, desaparecido no 36 em pagamento polo terrível delicto de ser músico. o seu corpo ainda nom apareceu.

a foto tirei-na de aqui.

há línguas que sumam…

E ATITUDES QUE DIVIDEM…