seique em santiago 2

acompanhadas da chuva, demos a benvinda ao seique na tarde do 28 de outubro.

acompanhadas da chuva, dos contos de celso e do pão da morena que nos trouxe de lalim.

celso levou-nos por contos que lhe lembrou a leitura. por pessoas que conheceu e que também lembravam os anos da fome, os cregos mentirãos, as mulheres afoutas.

eu apresentei a minha família à concurrência e falei da verdade e a mentira, da necessidade de falarmos da guerra, de fazermos terápia para cicatrizarmos de vez as genocidas feridas.

e, sobretodo, acompanhamo-nos de amizades.

eu_celso_santiago

publico_santiago

rosa_santiago

seique em santiago

cartaz_lançamento seique_compostela

ética poética

imagem de Monse Cea roubada no feisbu de Comba Campoy

hoje enchemos a santiaguesa praça da quintana em defessa dos nossos (das mulheres) direitos reprodutivos, os daquelas que não queremos ser mães e os daquelas que sim querem ser.

miriam levou-nos da mão a verónica martínez e a mim para que, subidas ao palco-camiom, partilhássemos com todas os nossos versos, entre cantora e cantora. estes são os que eu lim, em veste sufragista, para lembrar as pioneiras e aguardando não voltar a tempos escuros.

ética poética

 

isto não é um poema

é um aborto

 

não cabe no meu livro novo

a rima não quadra nem o tom

etéreo é o livro metafórico

pedras sem polir são estas verbas.

 

isto é um aborto

não é um poema

 

quero falar de ânsias e desertos

da vida que some e da morte insinuada

e sai-me político e não consinto

parir não é o destino das mulheres!

que raio de poesia é essa!

 

isto não é um poema

é um aborto

 

não me apetece / não é o momento

não estou agora para líricas

nas prosas ando interessada:

vai-me escrever um conto um romance de aventura

um filosófico patafísico ensaio

poesia agora não / não quero

 

isto é um aborto

não é um poema

 

não tenho já idade para arrolar cantos

não deixei repousar as palavras

não foram quecidas o tempo suficiente

não as engordei em glossários e sílabas contadas.

nasceram uma noite bebedeira

traídas pola música o erotismo

serei irresponsável / admito

mas isto não é um poema.

 

o caso é que não sei que fago aqui

explicando por que desboto ou não

estes versos como aborto

 

o caso é que a minha ética poética

atende a um único mandado.

 

o caso

é

que a poeta sou eu

e só eu decido

em que acabam os meus versos

 

só eu decido em que gasto o meu corpo.

 

A imagem desta poeta sufragista roubei-na do praza pública, mas como sou eu a modelo, suponho que nem roubo é.

 

 

O vídeo,  gravado por alberte momán:

 

 

 

versos de outono

convidada polas moças da liga estudantil galega de compostela, andarei amanhá polo tarasca, depois de tantos anos! (aqueles anos de estudanta!), oferecendo alguns dos meus poemas a quem quisser escuitar.

Festaleiro corsário vadio

encerrando as II jornadas galego-portuguesas da edição independente, organiza-se em compostela, na próxima sexta-feira, 18 de março, um recital poético musical copyleft: o festaleiro corsário vadio. pode assistir quem quisser livremente, e animar-se a ler, recitar, cantar, entoar, poemas próprios e alheios.

eu irei. vemo-nos lá.

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