Arquivo de 'Sen clasificar'

videira

25 agosto 2009

parra

umha tarde daquele verám

manuel dormia a sesta

deitado sob a frescura

da parra madurecida


nom buscou o abeiro

da ondulaçom dos sarmentos

da sombra dos pámpanos

dos cachos de uva bagacenta

a ponto de nascer o vinho


era umha tarde de agosto

e quem entrava era amigo


a filha adoita na hora de calor

procurar fresco um assento

sob outras uvas em sazom

à sombra doutros pámpanos

por baixo da mesma videira


e aguarda que o pai volva

neste tempo da vendima

feito ossos cinza orgulho


e estrear ao fim o pano de loito


esta terra é toda ela um cemitério

para o que ninguém arranja flores

no dia de defuntos


por trás deste poema anda a história do bisavó de dolores, amiga minha, desaparecido no 36 em pagamento polo terrível delicto de ser músico. o seu corpo ainda nom apareceu.

a foto tirei-na de aqui.

ariadne

9 xullo 2009

mulher-aranha

uma espiral táctil em andamento
busca recantos de preferência
nas sombras dos meus peitos

um fio de audácia leva ao bico
e alça a testeira a cornadura
a volúpia toda em labirinto

branca de neve

25 xuño 2009

aprendim com a clarissinha que a criação não sabe de individualidades, que sempre é colectiva: destas fotos há de sair um poema [ou mais].

chegou a mim via microsiervos.