sedasArchive for the '' Category

seda c. vanakkan

implica-te

seda b. salma.


Durante a estadia em Tamil Nadu, pudemos falar con Salma. Salma é umha mulher poeta, de procedência muçulmá que nom pudo acabar os estudos primários. Começou a escrever clandestinamente. Há uns anos tivo, junto com outras mulheres como Kutty Revathi, grandes problemas com a crítica e os meios de comunicaçom por utilizar como tema e objecto da sua escrita e a sua reflexom, o corpo feminino. Escreveu o primeiro romance de autoria feminina, muçulmá e támil, reunindo na sua pessoa três minorias e a oposiçom activa dos grupos integristas. Agora que está a preparar-se a segunda ediçom, sinte umha mistura de ilusom e medo: a popularidade e as vendas vam-lhe trazer, provavelmente, mais conflictos. Representou a literatura támil na Feira do Livro de Frankfurt.

Salma contou-nos que nom chegou ao feminismo atravês dos livros. Diz que a vida a fijo feminista: vivia no rural, nascida mulher numha família muçulmá e observava: concluiu que toda a sociedade estava artelhada para oprimir ao gênero feminino. Só na escrita, embora secreta, sentia liberdade. Hoje em dia sinte-se muito atacada, mas a um tempo, altamente recohecida por outros sectores da sociedade.

Também falamos con Rokkiyah, Direitora Geral de Assuntos Sociais de Tamil Nadu, política como consequência das leis de paridade: no seu distrito devia apresentar-se umha mulher, e ela foi proposta polo seu homem, que era quem tinha voz no partido. Até esse momento nom descobrira a sua capacidade de gestom e resoluçom de problemas e, a que fora elegida para figurar, optou por actuar. Foi ascendendo até o posto no que está na actualidade e ten aspiraçons a mais -nom saiu eleita parlamentária por um milheiro de votos, atribuíveis, segundo ela, às campanhas integristas contra a sua figura. Afirma que a classe política em geral nom tem sensibilidade social e nom se implica na luita contra as desigualdades económicas ou de gênero, algo que ela sim quer fazer.

Salma e Rokkiyah som a mesma mulher. Salma é o pseudónimo que escolheu Rokkiyah para poder editar os seus poemas. Desde que trabalha em política tivo que deixar de publicar, pressionada polo entorno. Aqueles que a deveram defender, pidem-lhe que cale. Vive isto com grande desalento porque diz encontrar na escritura toda a liberdade que nom tem fora. Diz desconhecer como fam outras escritoras, mas ela sofre muito com esse conflicto política/literatura. Para ela é um sacrifício com o que conseguir poder para levar adiante as suas iniciativas políticas: se na poesia tinha liberdade pessoal, desde a política contribui á livertaçom doutras pessoas. Pensa sobretodo nas gentes empobrecidas e nas mulheres. O dia que a desilusom seja demasiado grande, porque nom veja resultados na sua acçom política, volverá a publicar, já que de escrever nunca deixou.

A crónica original, aqui.

seda a. kutty revathi.


Conhecim a Kutty Revathi. Imersas no nosso mundo europeu, olhando sempre para o que se coce no centro, ignoramos totalmente que acontece ns margens, em outros sistemas culturais. Antes de encontrá-la na sala, eu ignorava quem era tal mulher. Porque, embora sendo poeta, Kutty Revathi é támil e o támil fica demasiado afastado de nós. E depois do encontro com ela, ainda nom podendo ler os seus poemas por falta de traidora traduçom, sim quero colocar aqui o que contou para nós, através da ajuda de María Reimóndez.

Veu em vaqueiros. Pode parecer umha parvada mas foi a primeira mulher que vimos em vaqueiros na cidade de Trichy. Practicamente todas as mulheres usam sari, que, no seu exotismo, encobre um fundo simbolismo patriarcal, associado a prácticas de castidade e de submetimento do corpo feminino.
Precisamente Kutty começou a ter problemas por causa do corpo. Por escrever sobre o corpo. Tinha obra poética publicada, mas o escândalo explodiu em 2002, quando publicou um poemário de título Malaigal: Tetas. Ela afirma querer celebrar o corpo, visivilizá-lo, livertá-lo, já que o corpo da mulher está totalmente oculto na sua cultura, sob esses seis metros de tecido tam pouco simbólicos e tam explicitamente materiais dos saris.
Mas desde esse momento começou a receber correios electrónicos ameaçantes, chamadas teléfonicas com mensagens obscenas e comentários despectivos e sexistas, até o ponto de viver na clandestinidade durante mais de três anos, sem contacto sequer com a sua família.
Sofre boicotagem por parte dos poderes literários: nos últimos três anos nom participou em nengum acto dentro de Tamil Nadu, embora sim fosse covidada em Kerala ou Sri Lanka. Contou-nos que o que mais lhe surpreendeu e doeu nom foram as intimidaçons de fanáticos da direita, que no fundo som esperadas, mas os ataques ferozes por parte da crítica literária que se diz progressista. Denominárom a sua obra como poemas-cleenex ou poemas-compressa. Digérom cousas como que as mulheres nom podem nem devem escrever sobre sexo, ou que “se quer ter boas tetas que vaia a umha loja de lençaria”. Todo muito literário. Kutty, junto com outras quatro poetas, que começárom a escrever desde umha perspectiva de gênero, descobrírom como umha patriarcalidade feroz se mantém com força no mundo literário.
O feminismo ocidental nom a impressionou muito, porque as suas estratégias nom som aplicáveis a culturas tam diversas como a índia, que une ao patriarcado o sistema de castes e as diferências enormes de classe.
Depois desta experiência, iniciou a ediçom de umha revista literária feminista: Panikkudam, dirigida ao público geral, e na que publicam muitas autoras novas. Com ela conseguiu que o mundo editorial se abrisse a essa outra forma de escrever, já que algumhas das raparigas que começárom na revista, já conseguírom levar obra ao prelo.
Por iniciativa de IND, o leitorado galego vai poder desfrutar desta autora, traduzida ao galego, num livrinho que se publicará no outono. Entretanto, aquelas que saibades inglês, podedes ler um poema aqui.