sedas doutr@s bich@sArchive for the '' Category

prologando madison ivy…

madison_ivy1

…cousa que nunca pensei que chegaria a fazer, se não for verónica martínez delgado. pediu-me que escrevesse um textinho para o seu novo poemário, e escrevim, claro. se vos entra vontade de ler a Ode a Madison Ivy e outras coisas de meter é que cumprim a encarga:

letras nómades

há uns messes chus nogueira pediu-me um texto sobre a minha relação com as viagens “para um artigo”. figem caso e escrevim.

não percebia eu mui bem o assunto até receber um dia, há semanas, um pacotinho na caixa dos correios.

presentes_nomades1

presente nómade

era o volume Letras Nómades: Experiencias da mobilidade feminina na literatura galega. Uma gozada de publicação argalhada polo grupo GAELT.

voltei saber de chus quando me pediu que as acompanhasse, a ela e as suas companheiras de pesquisas, no lançamento do volume em compostela. lá fum com três poemas viageiros: um escrito após viajar à casamance, outro escrito após viajar à índia e um outro escrito após ler circe ou o prazer do azul, porque ler também é viajar.

pudem conhecer a manuela palacios e ana acunha, ademais de reencontrar a olivia rodríguez, após aquelas aulas de literatura exilada nos meus cursos de doutoramento. e claro é, vim a chus nogueira, companheira licenciada na universidade do fojo.

letras_nomades1

kavafis re-lido e quatro grandes autoras

aproveitamos o acto para lembrar a begonha caamanho, que também escreveu sobre as suas viagens para este livro.

dous dos poemas já andárom por aqui. o outro, topicália, penso que sempre ficou nas gavetas.

 

Lusocuria

sempre penso que sou uma inculta. sobretodo quando descobro a gente falar cousas estranhas que eu nem imagino de onde é que saem. uma lacuna, penso. uma lacuna cultural que vivo tímida e avergonhada.

por isso tinha vontade de conhecer Verónica Martínez Delgado. quando figem a crítica do seu poemário, não acabei de perceber o sentido do título. mas como decidim que era uma dessas minhas vergonhantes lacunas, figem coma quem, ignorei-no na recensão e simulei que me adentrara nas entranhas mais fundas do livro. Verónica diz que figem tal. pode ser. eu porvezes tenho a sensação de que entro mas não abro os olhos.

o caso é que me pediu acompanhá-la no lançamento de lusocuria na Livraria Paz, de Ponte-Vedra. E lá fum, contenta por conhecê-la em pessoa (a nossas conversas foram sempre virtuais, viva a rede!) e para ver se nos contava que raios era isso da lusocuria.

soubemos.

e passamo-lo mui bem.

o insigne editor, Alberte Momán, tivo a bem gravar-nos. foi um pouco a traição, porque eu botei a língua a pazer como se estivesse entre colegas (estava entre colegas).

desta vez não escrevim nada especial, porque levava uma caixinha amorosa carregada de poesia escrita por outras vozes e com a que lusocuria choca brutal e sexualmente.



 

A imagem roubei-na no feisbu da Livraria Paz.

 

 

inter-construções

Um presente de Ramiro Torres, um dos operários d’o levantador de minas,  inspirando-se no meu [de]construçom. Obrigada. Adoro intertextualidades.

Para Susana, com afecto.


A casa esconde pentagramas infinitos,
jardins de uma dimensão desconcertante,
estâncias desfechadas que andam por si
a construírem a música de um parto
imaginante no centro da cabeça.
Inquilinos do silêncio, arquitectos
mudos de uma alegria imanente,
somos partículas de uma estrela
vertebrada no interior do abismo:
despregam-se-nos asas nos olhos,
tactos de brancura nas mãos,
pálpitos nos tentáculos da alma,
enquanto achamos a edificação
do mundo no respirar desarmado.
É-nos doce a ferida da rasgadura
da luz no telhado do ser, quente a
disposição da beleza operando
a mudança final para desasir-nos
no indefinível, e cairmos na
imensidade desta morada que
abrolha como aniquilição da sombra.


Novembro de 2010.

a visom dos vencidos II

 

antropagia

Caras e caretas

Em vésperas do assalto de cada aldeia, o Requerimento de Obediência explicava aos índios que Deus vinhera ao mundo e que deixara no seu lugar a São Pedro e que São Pedro tinha por sucessor ao Santo Padre e que o Santo Padre figera mercé à Raínha de Castela de toda esta terra e que por isso deviam ir embora ou pagar tributo em ouro e que em caso de negativa ou demora lhes seria feita a guerra e eles seriam convertidos em escravos e também as suas mulheres e as suas crianças.

Este Requerimento era lido no monte, em plena noite, em língua castelhana e sem intérprete, em presença do notário e de nengum índio.

Os aliados

Hernám Cortés conquistou Tenochtitlám com umha tropa de seiscentos espanhóis e umha incontável quantidade de índios de Tlaxcala, Chalco, Mixquic, Chimalhuacam, Amecameca, Tlamanalco e outros povos humilhados polo império azteca, fartos de banhar com o seu sangue as escadas do Templo Maior.

Eles acreditárom que os guerreiros barbudos vinham a libertá-los.

Eduardo Galeano: Espejos.

A imagem é de Tarsila do Amaral: Antropofagia.

Páxina seguinte »