isso é o amor

@s amig@s da palavra comum pediram-me um favor:

-ouh, susana, visiona o clip do último tema do caxade e escreve qualquer cousa para a revista.

eu gosto do caxade e da palavra comum, e visionei (uma outra vez, que já tinha visto -isso não contei ao mensageiro).

e foi assim tal qual. a tenrura e ledícia que transmitem a música e as imagens trougeram-me à memória marina de ferrim, vizinha rideira e colorida (como boa costureira) que tenramente contava dos seus amores moços com pepe, que continuava a ser o seu velho amor. e escrevim para a palavra comum, para caxade, para eles, marina e pepe, e para bárbara, a neta, este poema, que partilha artigo com outras leituras.

e isso é o amor

visionando a verbena

do caxade

acordou-me

que marina ia de socos

e balouçava na mão

limpos sapatos de salto

brancos

e guardava os socos

tão tosquinhos e de madeira

entre as pedras de um valado

e calçava os brancos sapatos

de ponta descoberta

 

[sandálias ló, dizia eu]

cala e escuita,

que este conto é nosso:

 

e luzia unlhas pintadas

e botava a baila com pepe

e outra baila e uma rumba

e três carinhos clandestinos

e mudava sapatos [sandálias]

por socos e voltava ao carreiro

de lama com a música e os beijos

ainda a dançar

no rosado das unlhas dos pés

abrigados na camurça dos socos.

 

e acordou-me

que uma noite

alguém levou os socos voaram

ou marina esqueceu o agocho

ou pepe escondeu para durar a festa

e houve de fazer o caminho todo

de curantes ao fojo

com os sapatos da mão

para não estropiar-lhes a brancura

e os pés descalços

e as unlhas rosas

e a música e os beijos

e o amor todo a dançar

na frescura da lama.

 

acordou-me isso.

 

 

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