lavandeira

ai se puderas valer-me

soldadinho que cavalgas

tu que sempre vés ao rio

e porvezes me acompanhas

se antes tu me beijaste

agora bem me ajudaras


retorce comigo o pano

o lenço branco de holanda

que ando a esfregar nele

desde essa noite agostada


mas este lenço menina

este lenço não tem água

o tecido pinga sangue

ressuma escarlates báguas

por volta das tuas pernas

as poças são encarnadas


mas que figeste menina

por que lágrimas derramas

de que prístina criança

me dás a enxugar mortalhas.


a fotografia encontrei-na no capítulo cero.


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