prologando madison ivy…

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…cousa que nunca pensei que chegaria a fazer, se não for verónica martínez delgado. pediu-me que escrevesse um textinho para o seu novo poemário, e escrevim, claro. se vos entra vontade de ler a Ode a Madison Ivy e outras coisas de meter é que cumprim a encarga:

letras nómades

há uns messes chus nogueira pediu-me um texto sobre a minha relação com as viagens “para um artigo”. figem caso e escrevim.

não percebia eu mui bem o assunto até receber um dia, há semanas, um pacotinho na caixa dos correios.

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presente nómade

era o volume Letras Nómades: Experiencias da mobilidade feminina na literatura galega. Uma gozada de publicação argalhada polo grupo GAELT.

voltei saber de chus quando me pediu que as acompanhasse, a ela e as suas companheiras de pesquisas, no lançamento do volume em compostela. lá fum com três poemas viageiros: um escrito após viajar à casamance, outro escrito após viajar à índia e um outro escrito após ler circe ou o prazer do azul, porque ler também é viajar.

pudem conhecer a manuela palacios e ana acunha, ademais de reencontrar a olivia rodríguez, após aquelas aulas de literatura exilada nos meus cursos de doutoramento. e claro é, vim a chus nogueira, companheira licenciada na universidade do fojo.

letras_nomades1

kavafis re-lido e quatro grandes autoras

aproveitamos o acto para lembrar a begonha caamanho, que também escreveu sobre as suas viagens para este livro.

dous dos poemas já andárom por aqui. o outro, topicália, penso que sempre ficou nas gavetas.

 

Gaza

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parece que foi há muito tempo, mas não passaram nem dous messes. em agosto ardia gaza e eu enviava ao Novas da Galiza o meu berro, aqui já conhecido, por se tinham a bem amplificar. saiu n’A Revista do mês de setembro, que agora podedes ler em pdf.

maria skłodowska

curie

há bem de tempo que lhe devia um presente a madame curie. e revisando o outro dia a sua biografia na wikipédia, fiquei impactada polos esforços que houve de fazer para estudar aquilo que queria, sendo mulher e polonesa. e mais impactada pola iniciativa para resolver:

Após combinar com sua irmã apoiá-la financeiramente nos estudos de medicina em Paris, e posteriormente receber o mesmo favor em troca, tornou-se governanta. Primeiro na Varsóvia e depois por dois anos em Szczuki com a família dos Żorawskis, que tinham parentesco com seu pai.

pensei nos anos gastados em trabalhar arrombando no faio a curiosidade científica e a ânsia de saber. e escrevim isto. devia-lho:

 

marie curie maria skłodowska

 

custódio na minha cinta as chaves todas

aquelas que abrem lacenas artesas adega

as que ocultam nos lençóis raminhos de alfazema

 

custódio no meu cós as chaves todas

as que protegem crianças de lixívias e amoníacos

aquelas que pecham nódoas no escuro e vergonha

 

custódio na minha cinta as chaves todas

aquelas que passam ferros e cirzem blancuras

as que livram tapetes de fastiadas penugens

 

guardo no meu cós, entre todas, uma chave

aquela que vislumbra um resplendor azul e fraco

no coração da pechblenda.

 

 

futebol

jogavamos quando nenas

na carvalheira do fojo

 

ninguém queria ficar na portaria

havia que suportar  os furos

os ponteirolos e a raiva dos goles

 

e lembrado pergunto-me:

valerão tralhaços

nas praias de gaza?

 

a imagem roubei-na aqui. é de Mahmud Hams/AFP é a descrição indica: Meninas palestinas participam de um treinamento no clube de futebol Beit Lahia no norte da faixa de Gaza.

 

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