abril em maio

polas terras de noia há vereadoras que aspiram a vareadoras e rejoneadoras. e trougeram, na semana dos maios e as gestas, uma pseudo-feira-de-abril sevilhana para o real da praça da vila. em noia! algumas pessoas temeram que falte pouco desta feira às touradas e pediram-me para acompanhá-las num pequeno ato subversivo.

e lá fui eu, com este texto, a pandeireta e uma cesta de limões 😀

ademais, entre samba e samba deliciosamente tocadas por isabel rei, botei uns poeminhas d’a noiva e o navio.

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todo para que noia continue a ser galega…

 

 

thamizhachi 2

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na conversa do sábado, thamizhachi falou-nos da simai karuvel maram, um arbusto introduzido no país polos colonos británicos, convertido em perigosa planta invasora, mas que a ela não não lhe provoca outra cousa que tenrura porque as suas espinhas eram usadas polas mulheres para aburatar a orelhas das meninhas.

e depois propûs-nos como motivo para um poema a incomodidade: qualquer um elemento da realidade que nos disturba, que nos indispõe… e que nos leva a escrever. e eu escrevim isto:

roupeiro

recorrem as estantes

as gemas dos dedos

para decidir a cor

da camisola

 

 

descobro

nas agudas pinchadas

nas pungentes feridas da pele

que o algodão

made in india

é uma espécie de tojo:

inditex karuvel maram

thamizhachi

a ong implicadas teve a bem trazer à galiza a thamizhachi, poeta támil, para nós podermos conhecê-la e ela poder-nos conhecer. partilhei com ela a tarde da quinta, onde acabamos na lila de lilith, sabendo dos seus interesses, da sua língua, da sua terra negra, da sua incomodidade vital, o genocídio das támiles de sri lanka e o duplo sufrimento das mulheres quando a violência da guerra. e escuitamos da sua voz os seus poemas.

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o sábado tocou obradoiro poético, regido por apiário, no que, durante a tarde, partilhamos propostas de escrita  comentários e reflexões.

thamizhachi

este é um dos poemas nascidos desse encontro e da leitura de um outro de thamizhachi onde descobrimos a bosta de vaca como elemento comum entre as nossas culturas 😀

na minha casa

nas viagens do carro

vai-e-vém

colada às rodas

a salgada areia da malhante

 

a bosta do caminho

 

 

as fotos roubei-nas nos tuíteres da lila de lilith e de maria reimóndez, porque saio eu e tenho direito a roubar :)

de interviu

a foto é um presente de charo banhobre
a imagem punk é um presente de charo banhobre

 

publicar, não publicarei poemas, mas entrevistas, resposto as que queirades.

nos últimos tempos, duas. primeiro falei para palavra comum, e comentamos literatura, poesia e outras ervas.

depois preenchim o questionário proust para o caderno da crítica.

se há contradição entre as minhas respostas a umas questões e outras, será porque passou por volta de um mês entre a primeira e a segunda, tempo suficiente para mudar de opinião e me contradizer.

rosaliana

uma presa de novas traz o 24 de fevereiro deste ano…

dentro da convocatória da AELG da que fago parte, pensei um pouco em quê tinha eu de rosalia e saiu este speech, com mau som por culpa do vento e da artista.

#eusourosalia #EuSonRosalia

 por outra parte, atendendo ao convite de lucia, acompanhei ao bng de vila-garcia na sua homenagem à autora, feita em carril, sob paráguas e chuva, o domingo 22 de fevereiro. no farodevigo contarom-no assim e noé parga fez esta foto, de poeta lânguida e morrinhenta:

carril_bng

mas não acaba aí a cousa:

amanhá, 24, duas estreias: apresenta-se na casa-museu de rosalia o livro de cantares hoje, feito a meias pola fundação e polo diário cultural da rádio galega. na página 77 o meu encontro com o poema vente, rapasa.

e no web da mesma fundação aparecerá amanhã uma novidade: o livro digital “150 Cantares para Rosalía de Castro”, no que colaboro, entre outras 164 artistas, com a glosa duma estrofe rosaliana, igual que ela glosou coplas tradicionais. o poema não aparecera antes por aqui. eis o vai:

Ai, quen lagrimiña fora

pra ir, meu ben, unda ti…!

Quen fixera un camiñiño

para pasar, ai de min!

 

quem enchera de bagulhas

um dedalinho        um barril

quem navegara essas águas

com a guia do setestrelim

 

mas não há barril nem deda

nem dorna que leve a ti

só velhas varandas e podres

das que não vejo o brasil

 

o olvido vai-me roendo

não te chego a distinguir

apagam-se em mim teus olhos

o teu cabelo esquecim

 

as tuas mãos não têm linhas

sumiu teu cheiro a alecrim

aquele andar bailarengo

perdeu-se no mar sem fim

 

e não, não me quero bágua

por ver-te não penso partir

viúvas que morram outras

a vida prosegue para mim

 

ai, quen lagrimiña fora

pra ir, meu ben, unda ti…!

eu que não sou lagriminha

caminhando hei de seguir

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