seique em ribeira

e fomos a ribeira acompanhadas da mala com todos os livros que dera o seique e mesmo o caderno onde o seique foi sendo pensado.

e fomos diretamente à taberna, que é o melhor lugar para falar de livros. e juntamo-nos por volta das vinte pessoas. e todas leramos o seique!!

taberna_ribeira

e falamos. tanto. do tio manuel, da guerra, de liste e valência, das casualidades da vida, do secreto silêncio que paira nas casas, do medo que chega ao hoje, do tio manuel e de tia ubaldina.

e do leixaprém.

e trouxemos com nós, na mala, as palavras e os presentes das leitoras barbançãs.

presente_ribeira

obrigada!

 

 

boina style

Começaram as moças do Clube da Língua do IES Marco do Camballhão, lá polas Cruzes. Decidiram pór de moda novamente a boina, o pucho de aldeia de sempre. E pediram às amigas, vizinhas e conhecidas uma foto tocadas com boina. E enredaram ás moças da EASD Mestre Mateo, que desenharam alfaias para acompanhar as boinas, e decidiram argalhar uma sessão de fotos para visibilizar as boinas, e pediram a artistazas do mundo mundial que posaram, para elas, com boina e alfaias.

E entre as artistazas estava eu, seique.

E figem a foto sem saber mui bem para que era, porque do que gostava era de todo este enredo de redes e comunidade em que germolou aquela ideia pequeninha, seique,  das moças das Cruzes.

E pediram-me um poema e escrevim. Depois houve de ser reduzido para colher na foto (nom sei por que, com o grande que é 😉 ) e vai aqui completo.

boina

quando menina

sempre que via o che

fotografado por korda

ou a espilida da bonnie

a fugir do banco

com tanto dinheiro

eu sabia

juro que sabia

que também

coma nós

falavam galego.

E só depois, ao final de todo este enredo, soubem que havia ocupar as ruas, as pistas, as paradas, com o meu sorriso emarcado em blancura.

boina

Demasiado tarde para matar ninguém…

 

isso é o amor

@s amig@s da palavra comum pediram-me um favor:

-ouh, susana, visiona o clip do último tema do caxade e escreve qualquer cousa para a revista.

eu gosto do caxade e da palavra comum, e visionei (uma outra vez, que já tinha visto -isso não contei ao mensageiro).

e foi assim tal qual. a tenrura e ledícia que transmitem a música e as imagens trougeram-me à memória marina de ferrim, vizinha rideira e colorida (como boa costureira) que tenramente contava dos seus amores moços com pepe, que continuava a ser o seu velho amor. e escrevim para a palavra comum, para caxade, para eles, marina e pepe, e para bárbara, a neta, este poema, que partilha artigo com outras leituras.

e isso é o amor

visionando a verbena

do caxade

acordou-me

que marina ia de socos

e balouçava na mão

limpos sapatos de salto

brancos

e guardava os socos

tão tosquinhos e de madeira

entre as pedras de um valado

e calçava os brancos sapatos

de ponta descoberta

 

[sandálias ló, dizia eu]

cala e escuita,

que este conto é nosso:

 

e luzia unlhas pintadas

e botava a baila com pepe

e outra baila e uma rumba

e três carinhos clandestinos

e mudava sapatos [sandálias]

por socos e voltava ao carreiro

de lama com a música e os beijos

ainda a dançar

no rosado das unlhas dos pés

abrigados na camurça dos socos.

 

e acordou-me

que uma noite

alguém levou os socos voaram

ou marina esqueceu o agocho

ou pepe escondeu para durar a festa

e houve de fazer o caminho todo

de curantes ao fojo

com os sapatos da mão

para não estropiar-lhes a brancura

e os pés descalços

e as unlhas rosas

e a música e os beijos

e o amor todo a dançar

na frescura da lama.

 

acordou-me isso.

 

 

seique em ribeira

umplugged, quer dizer, em formato íntimo:

seique_ribeira

irmandadas

cartaz-LilasIrmandades

quando nasceu a possibilidade de comemorar o centenário das Irmandades da Fala eu mostrei curiosidade polo papel das mulheres nesse movimento.

– não há quase, disse-me mais de um especialisto. alguma na crunha, só a mulher de ánxel casal em santiago.

pois não comemoro, ló, pensei para mim. fartinha estou de eventos pirolos.

só que não é verdade. não é certo que não haja mulheres. o que não há, como diz encarna otero, é quem queira vê-las. como sempre, falta documentação e falta quem deixe e saiba ler a que existe. mas por toda a parte há pegadas de um movimento feminista incipiente atento ao que acontecia no campo internacional.

por isso aceitei comemorar, esta vez sim, as irmandadas, convidada pola comissão de história da gentalha do pichel.

levei este textos, nascidos do mergulho urgente em redes e papeis. vão aqui, em documento à parte para que não fagam eterna esta entrada e podades re-utilizar.

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