documentos para a estória

 

I. o projeto desmedido.

 

nem quando o entreguei para imprimir dei por acabado o seique. eu aguardava que a publicação fosse só um primeiro passo na sua construção. aguardava que a saída à luz das nossas estórias familiares aflorassem novos testemunhos ou dados. era só uma esperança, mas eis a estava.

acontecia-me como nos acontece às poetas com os certames literários: apresentas-te com a ideia de ganhar e imaginas-te recolhendo o galardão, respondendo engenhosamente aos centos de entrevistas que vás atender e negociando essa dúzia de traduções a outras tantas línguas. sabendo que todo isso não vai acontecer, mas desejando.

e eu mantinha a ideia de que o seique romperia silêncios atrapados, desenterraria papeis escondidos, mostraria documentos certos e precisaria uma nova edição ampliada e revisada, embora em realidade nunca chegasse a acreditar que isso passaria.

 

2. turradoras de memória

 

 

a elas dediquei o livro:

a todas as autoras da bibliografia,
por turrarem contra a desmemória
em balcões de cartórios notariais,
em decretos de governo.

e ontem recebim uma mensagem. de José Álvarez Castro, historiador atento e mantedor do blogue Pontevedra nos anos do medo, que andou mergulhando em decretos de governo, em processos judiciais. nesses trabalhos desmedidos que poucas vezes dão fruito.

– dei com o tio manuel! -comunicou.

 

3. papelada

 

e explicou-me como o localizou no arquivo militar do Ferrol. como comprovou que andou preso quase ano e meio, entre junho de 1937 e novembro de 1938. acusado do assassinato de daniel varela munhiz, taberneiro. aquele assassinato que os boatos familiares dizem ele não ter cometido.

 

eu dera com o tio manuel no diario de ponte vedra

eu dera com o tio manuel no diario de ponte vedra

conta-me Álvarez Castro que o juiz declarou o sobrestamento do caso por falta de provas, mas que a leitura dos informes e testemunhos é bem interessante, porque delata uma grande pressão das forças vivas para libertar o tio manuel. a guarda civil afirma que “colaborou com entusiasmo no restabelecimento da ordem pública e nas batidas contra os extremistas que andavam nos montes”, e o padre da paróquia de besomanho declara ser manuel garcia sampayo “uno de los feligreses que merece ocupar un puesto de los más distinguidos por su docilidad, humildad y religiosidad nada comunes”.

como dizia tia carmen, a que levaram para freira umas missões que passavam por ali, estes curas não se inteiram de nada!

ou sim. inteiravam-se de todo.

 

no blogue de Xosé Álvarez Castro já podéis ler a história completa. brutal: seique.

 

4. ajudai-me companheiras

 

companheirinhas leales! ajudai-me a acabar a primeira edição do livro, porque sim vai ser certo que poderemos revisá-lo e ampliá-lo numa segunda. :)

a palavra tem mais poder daquele que tantas vezes achamos…

seique em ponte vedra

onte tocou a boa vila, na livraria paz, como sempre, e com o clube de fans que nunca falta às minhas visitas: miriam, mónica, mar…

e acompanhou-nos ana acuña, que pediu mil vezes desculpas por não poder preparar com tempo a presentação e ainda assim não deixou recanto do seique por visitar. obrigada pola tua leitura!.

pontevedra_1

isso sim, ana, ademais de ler atentamente, deioxou-me deveres. no café prévio ao lançamento insistiu-nos em querer sabê-lo todo, todo: onde é que era o vento? de quem era irmá casilda? teu pãe leva o nome do avô?

tivemos que escrever, entre eu e carmela, todas essas cousinhas num rascunho de papel que ela depois partilhou com o público, deixando-nos de trapalheiras perdidas.

pontevedra_1_arvore1

e sugeriu: deverias colocar, pode ser no teu blogue, a árvore genealógica da família, que assim enredamos menos nos nomes. um esqueminha só, como guia.

arvore_genealogica_boa

e mais: deverias colocar, pode ser no teu blogue, um mapa com a geografia do seique, para não perder-nos na microtoponímia.: portaris, o vento, cervanha, fojo, ceia…

eis o mapa, com textos do livro. um autêntico roteiro literário:

se não o vedes, aqui a ligação.

muito me fez trabalhar esta mulher!!

menos mal que depois tocou relax e conversa, seique.

pontevedra_vinho

 

seguinte encontro: ponte vedra

ponte_vedra

seique em caldas

o seique já leva passeado um pouco, acompanhado da autora, mas até agora não andara numa biblioteca. andou em livrarias, andou em centros sociais, porém, bibliotecas, nada.

e ontem tocou. uma biblioteca pequena, seique. e viva. e luminosa. e acolhedora. e atendida.

a de caldas de reis.

caldas_biblio

caldas_viva

as fotos são para que aprendam na estrada a ter fermosas e atualizadas as bibliotecas. ighual se lhes pega e aprendem.

e fomos falar…

caldas_biblio_escadas

recebemos ao público no alto a autora e as formiguinhas bibliotecárias, rosa e cristina. e sentamos cristina, em representação das duas, carmen loureiro, ex-companheira de trabalho e apesar disso amiga (cristina gostou de que a descrevera como leitora atenta e meio filósofa, assim que reitero) e menda lerenda, para falar do seique.

caldas_publico

caldas_faladeiras

caldas_fala_publico

o melhor: que estava o meu padrinho, mon, e aguentou tooooodo o ato sem fugir de nós. e que maruxa, a minha coirmá, descubriu de onde saíra a sua família: como os bisavós com tia carmen, a ela também seu pai e mãe a perderam quando meninha.

como sempre, o seique despertou conversas e acabou nas tabernas, falando de memórias entre vinhos, que é a melhor maneira de fazer memórias.

caldas_taberna

apesar das minhas tosses.

 

seguinte encontro: caldas

se as águas do úmia o permitem, esta sexta, às 20.30 caeremos pola biblioteca pública PM Martínez Ferro, de caldas de reis (para isso estão as bibliotecas públicas) para falar, com Carmen Loureiro, seique.

e se as águas do úmia andam ceivas, traquilas, colhemos a dorna e imos igual.

cartaz_caldas

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